Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Bioshock




Abordando temas que vão da luta pelo poder à manipulação genética, esta é uma obra intemporal pintada segundo o estilo Art Déco numa cidade assente no fundo do oceano. Idealizada e construída por Andrew Ryan após a II Guerra Mundial, Rapture é encontrada pelo jogador como uma cidade em declínio e à beira do colapso. Ao invés de colocar o jogador no centro da trama principal, Bioshock fornece-lhe todo um contexto sociocultural sob a forma de testemunhos gravados pelas figuras principais, que beneficiam de interpretações convincentes. Mais que um jogo, Bioshock é uma peça de arte, daquelas que devem ser apreciadas (obviamente) sentado para que não seja descurado qualquer pormenor.

Exemplarmente suportado pelo Unreal Engine 3.0 (Rainbow Six: Vegas, Gears Of War, Unreal Tournament III) no departamento gráfico, a nível de ambiente sonoro, Bioshock é soberbo. Partindo da envolvente banda sonora intrumental, este atinge o auge através dos efeitos sonoros ouvidos em momentos como o combate contra os Big Daddies, figuras grotescas que apenas atacam quando atacadas ou sentem as suas protegidas ameaçadas. Estas, as Little Sisters, são as únicas capazes de extrair Adam, o recurso mais valioso em Rapture e apenas encontrado em cadáveres. Embora capaz de comprar armas com dinheiro, a menos que os encontre eventualmente, apenas com Adam o jogador poderá adquirir plasmids, modificações genéticas que lhe atribuem poderes a vários níveis e essenciais para a sobrevivência.

É pois a sobrevivência que constitui um dos aspectos mais controversos em Bioshock. Quando morre, o jogador é recriado numa câmara (vita-chamber), mantendo todos os seus itens e atributos no momento da morte, bem como o estado dos adversários. Este terá sido o método encontrado pelos criadores para não excluir imediatamente o jogador das situações de combate sem cortar directamente na dificuldade do jogo. Outro aspecto digno de nota, e que serve inclusivamente de quebra na monotonia, é a capacidade que o jogador tem de aceder, através de hacking, aos vários aparelhos e máquinas existentes na cidade, podendo assim obter aliados electrónicos ou preços reduzidos, algo concretizado sob a forma de um mini-jogo ao estilo do velhinho Pipe Dream

Apesar de inserido nos locais onde se desenrolaram os acontecimentos que conduziram a cidade ao seu inevitável destino, o jogador apercebe-se de que a grande maioria é já passado, sentindo que não terá qualquer influência no desfecho da narrativa. Esta é talvez a maior das dúvidas levantadas ao longo do jogo e que serão respondidas durante a resolução da narrativa, oferecida ao jogador em crescendo e culminando num de dois finais memoráveis. Está nas mãos do jogador escolher como quer ser lembrado no fim. Bioshock é um jogo para os fãs de histórias ao estilo de Vinte Mil Léguas Submarinas, para os aficionados dos FPS ou de jogos de acção na sua generalidade, um jogo com tudo para se poder tornar o jogo do ano.



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Publicado por NMancer às 20:06
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O PC Gamer é um blog de opinião dedicado a videojogos para PC, pensado e escrito por um jogador comum, não se encontrando directa ou indirectamente relacionado com qualquer outro projecto de mesmo nome.

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